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O vagar da idade
Imprime serenidade em seu olhar...
Olha de frente para a vida
Que, olhando daqui,
Passou ligeira...
O tempo dá mais uma volta,
Não para de contar.

Na infância à beira do Paraíba,
Ela era um peixinho a nadar.
Nas brincadeiras de criança,
Brincava de trabalhar.
Com retalhos e sabugos de milho,
Com arte e esmero
Sua própria boneca se punha a criar,
E o fazia com tanta graça e zelo
Que seu presente de menina
Foi uma máquina de costurar.

Um moço que implicava com ela, menina,
A deixava vermelha de raiva, a o odiar,
E a insistência do rapaz,
Veja onde foi parar...
E, já mocinha,
Adivinha com quem ela foi casar?

Casou,
Logo sua primeira filha chegou,
Atravessou o rio para seu filho mineiro
Nascer, mas ele é fluminense.
A segunda filha chegou,
E o casal deixou a terra quente,
Para na Floresta fria se embrenhar,
Para lá da matinha foi morar,
A terceira filha e o caçula,
Na terra fria vão nascer.

Tempos difíceis para família,
Ela, firme, nessa vida
Só não aprendeu a reclamar.
Casa, cozinha, criança,
Roça,
Arroz, milho e feijão plantados
Frutas no pomar,
Paciente, tocava o pedal
Da máquina de costurar,
O barulho, compassado marcava o tempo
E a agulha a sulcar e amarrar o tecido.

Logo, logo, a gente da vila
Sua moda vai experimentar,
E ela, firme, com
Paciência para costurar
A vida,
O pano,
Fazer sabugos virarem bonecas
Para as filhas poderem brincar.
Mais um corte de pano
E os netos ela vai vestir,
O tempo a fluir.

Os retalhos de encomendas viram
Roupa de moda para os de casa.
O doce de leite que ninguém consegue
Imitar.
A manteiga batida num pote do creme
Do leite resfriado no valão
A cozinha simples e saborosa,
Carne de porco na lata,
O melhor arroz com feijão.

Nas tardes silenciosas,
Somente a água da cachoeira se ouvia,
Em companhia de um louro,
Uma paz sentia em seu peito brotar.

O tempo sempre leva a todos.
Contra a vida não se pode lutar,
O moço, seu companheiro,
Não pôde mais ficar,
Ela, sentida, tem sofrido,
Pois nessa vida só não aprendeu
A reclamar.
Mas amor recebe de todos.

E hoje, com mais uma volta do tempo,
Por ela me ponho a orar,
Peço para ela saúde, paz
Tudo de melhor,
Que volte para ela todo amor que deu,
A mãe e avó que só faz nos orgulhar,
Hoje vê a prole grande,
Os bisnetos pintam o sete,
É um dia especial,
Feliz Aniversário,
Alice Sirlete.

Para minha avó, no seu aniversário, Volta Redonda, 09/11/2020
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